quarta-feira, 7 de outubro de 2009

COINCIDÊNCIA DE LIMÃO

Nosso primeiro texto a quatro mãos: Gnomo & Sandro

Gnomo:

Coincidência
(coincidir + -ência)

1. Ato de coincidir.

2. Simultaneidade de diversos acontecimentos.

O post a seguir é uma mera coincidência de sabores escolhidos por mim e o companheiro de cozinha Sandro, elaborados simultaneamente em diferentes ocasiões.

Isso me fez refletir em algumas situações que acontecem essas casualidades. Mais uma vez, me vem à memória o Sandro (de novo) com a mesma roupa que eu, um terno sob medida Tevah, preto, igualzinho ao que eu estava na festa de casamento de algum amigo nosso. Ainda bem que somos do sexo masculino e, claro, não ligamos para este tipo de coisa. Todo mundo já deve ter visto a expressão de uma mulher quando chega numa festa e encontra outra com o mesmo vestido! PUTZ! Estraga a noite dela, e se a outra for mais magra entãoooooooo!!!

Este final de semana aconteceu de novo! Liguei para o Sandro e foi mais ou menos assim:

Eu: E aí mano, tudo bem? Como foram as aventuras gastronômicas do findi?


Sandro: Nada de mais... fui fazer uma massinha com molho de limão na casa dos meus sogros.

Eu: Peraí, massa com limão fiz eu, aqui em casa! Mas a minha é com limão Siciliano.

Sandro: A minha também! E aí, como foi?

E assim se seguiu nossa conversa...

MASSA AO LIMÃO (GNOMO)

- 500gr de massa (fusilli, penne ou gravatinha)

- 2 limões sicilianos

- 150gr a 200gr de queijo parmesão (peça)

- 2 cremes de leite

- 100gr de manteiga

- Sal e pimenta a gosto

* Porção 4 pessoas

Como sempre minhas receitas são rápidas e práticas. Deixa já pronto as raspas da casca dos 2 limões, 2 colheres de sopa do suco do limão e o parmesão ralado grosso para ajudar a derreter. Prepara a massa e quando ela estiver quase pronta faz o molho: Derrete a manteiga em fogo baixo para não queimar, coloca as raspas, o requeijão e mistura um pouco (30s). Coloca o suco do limão siciliano e mistura bem até ficar homogêneo. Quando tudo estiver quente coloca o queijo e mistura bem. Desliga e deixa os ingredientes trabalhando enquanto escorre a massa, toca em cima e vai pro abraço.

Pra quem ficou curioso, digo que a massa fica deliciosamente saborosa como se fosse um queijo de limão. O gostinho do parmesão com o toque da pimenta e o frutal do limão. Bárbaro, eu adoreeeeeeeiiiii !!! Até teve um filezinho de porco no forno só pra acompanhar, tadinho.

SANDRO:

Bem, a minha receita começou com a minha sogra dizendo que tinha comprado um macarrão uruguaio com manjericão. Sim, a massa também é fusilli, como a do Gnomo, mas verde do manjericão. E as coincidências não param por aí. Quando ela me disse para pensar em um molho para prepararmos essa massa, a primeira coisa que me veio na cabeça foi usar o limão siciliano e o queijo parmesão como base, para fazer um molho leve, onde a massa pudesse ser percebida.


Até aí, eu e o Gnomo estávamos em perfeita sintonia nas ideias. A partir desse ponto que tomamos caminhos diferentes. Coloquei também umas castanhas-do-pará, um pouco de vinho branco e um pouco de alho refogado. Gostei do resultado, mas acho que teria ficado melhor sem alho. Vou passar a receita exatamente como a preparei, mas já dando a sugestão: deixem o alho de lado, acho que não precisa.

  • 1 colher de sopa de alho picado.
  • 15 castanhas-do-pará picadas grosseiramente.
  • Suco de um limão siciliano expremido.
  • 1 copo de vinho branco.
  • Casca ralada de dois limões sicilianos.
  • 150g de queijo parmesão ralado.
  • Um pacote de 500g de macarrão Las Acacias 'con Albahaca'.
Rendimento: quatro bocas comportadas... Para quatro gladiadores, legionários ou ogros, será pouco.

PREPARO: Coloca o alho para dourar num blend de azeite de oliva e manteiga, cuidando para não escurecer. Aí adiciona o suco de limão siciliano, o vinho, e deixa reduzir um pouco, sem perder muito líquido. Acrescenta as castanhas-do-pará já picadas, e é só o tempinho de esquentá-las que o 'molho' já está pronto.

Claro que isso deve estar bem sincronizado com o preparo do macarrão, que nessa hora já deve estar al dente. Agora é a hora boa: escorre o macarrão, mistura nele o queijo ralado e a casca ralada dos limões sicilianos, joga essa misturinha por cima, e corre pro abraço. Ou seja, pra mesa, pro pessoal provar a invenção e dar a nota.

A dica é da Tati Matz, minha crítica gastronômica preferida: umas folhinhas de manjericão misturadas na hora de levar pra mesa realçariam o gostinho do macarrão, e dariam um corpo mais legal ao prato. Eu concordo. E também tiraria o alho, como já disse, pois acho que ele sobrou um pouco nos sabores mais sutis que esse prato se propõe.

Agora, o mais engraçado foi descobrir que o Gnomo estava tocando viola na mesma nota!!!! Que saborosa coincidência!!!


quarta-feira, 30 de setembro de 2009

O Doce de Merenguinho by TatiMatz

Participação Especial no Blog!!!


Texto e fotos de TatiMatz.


Não nasci pra cozinha. Trato-a por Vossa Excelência e peço licença quando quero entrar pra pegar um humilde copo d’água. Na família, tenho um epíteto cretino que frustra minhas prendas de futura mãe: Tati, a abatumadora de bolos. Vocês conhecem alguma mãe que abatuma bolos?? Nem eu! Por isso, digo: não posso ter filhos antes de aprender a fazer um bolo decente!

Bom, a essas alturas, muitos se perguntam: “mas então o que ela faz escrevendo um texto para um blog de gastronomia?” A resposta é muito simples: tenho na manga uma receita de família. E essa eu sei fazer – muito bem, modéstia à parte! É o super-ultra-mega-delicioso Doce de Merenguinho!! E bem que faltava uma receita de sobremesa por aqui, mesmo!

Esse é um doce que é feito em três momentos. Aos principiantes, como eu, não se preocupem, pois não vão passar o dia todo na cozinha. São três passos rápidos que contam com os seguintes ingredientes:

- 1 lata de leite condensado;
- 1 lata de leite;
- 4 ovos;
- 1 colher de sopa de maisena;
- 4 colheres de sopa de açúcar;
- 1 lata de creme de leite;
- 1 pacote e 1/2 de merenguinho (aqueles “Da Colônia” são os melhores!)

A primeira etapa consiste em fazer um creme, que será a base da sobremesa: leve ao fogo o leite condensado, o leite, as quatro gemas (reserve as claras) e a maisena, mexendo sempre, em fogo médio. Desligue quando começar a ferver. Transponha o creme para a travessa onde a sobremesa será servida – eu uso um refratário de tamanho médio – e coloque em algum lugar para esfriar – que pra mim significa embaixo do ventilador, mesmo. Nada como dar novos usos à tecnologia disponível.



O segundo passo é fazer um chantilly que irá por cima do creme que está esfriando. Para isso, bata bem as claras em neve (bah, dá uma preguiiiiiiiiça! Mas não há esforço que uma batedeira não faça!). Depois, acrescente o açúcar, o creme de leite e misture bem, sem bater. Sobre o creme já frio, despeje o chantilly.



Por fim, vem a melhor parte: sobre essa profusão de sabores e calorias, coloque o merengue, de modo que cubra toda a superfície. Tape a sobremesa com um filme plástico e bote na geladeira! Ainda dá pra ser um pouco mais criativo e, além dos merengues, botar morangos ou bombons e voi-là! Posso garantir que é bem mais gostoso do que um bolo abatumado!





quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Prevenção com Elegância

Nesses tempos de gripe A circulando na população e na mídia, mais de uma vez li sobre a importância dos alimentos que estimulam a nossa imunidade. Alho, gengibre, mel e limão estão sempre no topo da lista. Aí, vendo uma dessas reportagens, fiquei pensando num prato ANTIGRIPAL... algo que reunisse esses ingredientes.

Pensei imediatamente num peixe, um filé de abrótea que, além de ser um peixe leve, tinha a vantagem de já estar no meu freezer. Na véspera, escolhi dois filés grandes e passei pra geladeira para descongelar da maneira mais adequada. Também deixei algumas batatas fervidas para usar no dia seguinte e não tomar meu tempo com isso. Tudo em nome da praticidade, certo, Gnomo?

No dia seguinte, separei os ingredientes. Atenção para as quantidades:

- Duas colheres de sopa bem cheias de mel puro
- Uma colher de chá de alho picado (eu sempre uso Alho Free, e RECOMENDO)
- Suco de ½ limão
- 150 ml de vinho branco (algo tipo meio copo)
- Duas colheres de sopa (generosamente cheias) de gengibre picado
- Algumas pitadas de pimenta-do-reino
- Um punhado de Salsinha fresca picada
- 2 Filés de Abrótea

Começa dando uma refogadinha de leve no gengibre picado. Bem de leve MESMO. Depois coloca o alho picado, e mais uns segundinhos refogando, mas não chega a deixar o alho dourar. E já tá na hora do suco de limão e do vinho branco entrarem, abrindo a mistura e evitando torrar os dois primeiros ingredientes. Sal e pimenta-do-reino na mistura. Quando levantar fervura, abaixar o fogo e deixar reduzir um pouco, até dar uma engrossadinha. Esse molho vai ficar bem forte e bem ácido, não tem problema. Vai regulando a lenta com água (aos poucos, e POUQUINHO) para não secar o molho. E vai provando. Aventureiros da cozinha (como eu!) precisam provar o tempo todo as etapas intermediárias para se certificarem que não estão fazendo bobagem.

O molho deve continuar forte de sabor, mas perder um pouco da exagerada acidez inicial. Um pouco. Ainda está com uma acidez acima do palatável, certo? Ótimo! É assim mesmo que tem que ficar. O mel está ali, pacientemente esperando a sua deixa. E é ele que vai resolver isso, agora mesmo. Pode derramar sem pena. Nada de mexer no fogo, deixa sempre em fogo brando.... mexe é no molho, para misturar legal.

Bom, quando voltar a ferver, coloca na panela os filés de abrótea, já temperados com sal e pimenta-do-reino. Sim, eles não douram antes, entram direto cozinhando no molho. Aí a importância da panela adequada: eu usei uma estilo frigideira, mas com tampa. Coloca os filés, dá uma mexidinha, coloca um pouco dos sólidos do molho por cima dos filés, e tampa a panela. Quando levantar a fervura novamente, vira com cuidado os filés (atenção para eles não se espedaçarem) e deixa um pouco mais do outro lado, já com a panela destampada. Essa etapa aí serve para reduzir bastante o tempo de forno depois, e não secar demais o molho. Ou seja, o peixe cozinha no molho e depois seca o excesso no forno.

Falando em forno, já está pré-aquecido? Ótimo. Aquelas batatas lá do começo farão o acompanhamento. Cortadas em metades ao comprido, adornam o prato que irá ao forno e depois à mesa. Portanto, escolhe uma assadeira apresentável, combinado? Passa os filés para esse prato, derruba o molho por cima e toca no forno.

Bom, o forno serve mesmo para dar uma secadinha no molho e terminar o cozimento do peixe. Nada demais. Uns 15 minutinhos, com forno pré-aquecido quando entrarem, já está ótimo. É o tempo necessário para duas coisas importantes: picar (só agora, para que fique bem fresca!) a salsinha que vai por cima do prato e abrir aquele vinho branco geladinho.

Dá uma olhada lá no forno: o molho reduziu e o peixe dourou? Tá pronto! Joga a salsinha picada por cima e traz para a mesa! Um Reserva Boscato Chardonnay geladinho no acompanhamento e vamos nessa!

Inicialmente eu queria batizar o prato com um nome que fizesse alusão à prevenção da gripe, mas a Tati fez o comentário definitivo após provar a minha invenção: “nossa, que sabor elegante”... taí: Peixinho Elegante!


quinta-feira, 17 de setembro de 2009

ALCATRE NA PANELA

Mais alguém virou sapo nesse fim de semana chuvoso? Não deu vontade de sair de casa nem pra comprar o necessário para fazer um almocinho diferente, putz!

Vamos ao freezer !!! Bah! Até lá a coisa tava feia! Mas tinha um alcatre que me apeteceu. Eu sei, eu sei, carne congelada não é a mesma coisa, mas sair na chuvarada que fez no final de senama não era uma opção melhor.

Não teve muito glamour, mas teve um toque delicado no gosto da carne. Acho que os ingredientes que tinha em casa com as respectivas quantidades eram esses:

1/2 kilo de alcatre em bifes pequenos e finos
100 gramas de bacon picado
½ litro de caldo de carne
1 cenoura em rodelas
1 copo de vinho
1 cebola picada
óleo o suficiente
sal a gosto

Numa panela, aqueci o óleo e refoguei o bacon. Coloquei a cenoura em rodelas e a cebola picada grosseiramente e refoguei um pouco. Adicioneio a carne e refoguei bem. Juntei o copo de vinho e o caldo de carne. Tampei a panela e deixei a carne cozinhar por cerca de 40 minutos, em fogo brando.

Com essa cozinhada a carne ficou bem macia, e o vinho, como sempre, deu aquele gosto especial. De acompanhamento foi um arrozinho branco e uma salada de tomates com alface. Só o que tinha em casa mesmo, hahaha.

FUI !!!

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Indiada Jones e a Última Garfada

Minha profissão me permite viajar bastante. Ou melhor, me OBRIGA a viajar bastante, mas tudo bem. Apesar de muitas vezes não ser esse glamour todo que parece, gosto muito desse osso do ofício. Principalmente pelas oportunidades de experimentar coisas bem diferentes do que temos por aqui. Já provei carne de cachorro na China, sopa de cobra em Hong Kong, carne de Camelo na Arábia Saudita (essa, ainda por cima, comendo com a mão, sentado no chão), olho de peixe no Japão... Bem, digamos que nem todas as iguarias estavam ao gosto do meu paladar. Ainda assim, interessantes de conferir.

Mesmo tendo passado por algumas MEGA-INGRATAS – não queiram saber como é ter uma infecção intestinal no Yemen – a parte boa da coisa é conhecer a cultura de países bem diferentes do nosso através de uma das manifestações mais autênticas de um povo: a sua culinária. Os árabes, por exemplo, prezam a fartura. Um convite para jantar significa pelo menos três horas no restaurante. A noite começa com petiscos tipo azeitonas temperadas, conservas, enroladinhos e empanados típicos. Até aí, beleza. Depois desse couvert (que já é comida suficiente para ser considerada uma entrada bem servida) se escolhe o fumo da SHISHA (no Brasil é mais conhecida como narguila ou narguilé, como mostra a foto ao lado), que será colocada ao lado de cada pessoa para ser degustada individualmente. Para a próxima etapa vem o garçom com uma mesa repleta, eu disse REPLETA de pratos frios. Quando todos os pratos estão na mesa, o primeiro impulso a ser contido é perguntar ao anfitrião que horas chega o ÔNIBUS com a delegação completa do Sport Club Internacional. Afinal, aquela comida toda não pode ser para as três ou quatro pessoas que estão ali dividindo a mesa, e sim para um time de futebol inteiro. Pois são só para os presentes, mesmo. E são só os pratos frios. Depois deles, vem uma rodada maior ainda com diversos pratos quentes. A essa altura da coisa, o mais importante passa a ser administrar a desfeita. Sim, o bigodudão ainda vai ficar todo ofendido se o trigésimo quitute que ele oferecer for recusado, com a inaceitável desculpa de já estar satisfeito desde lá do couvert. A sobremesa é outro despropósito: normalmente são feitas à base de gergelim, mel, massas folhadas e sementes, enfim, uma bomba mais adequada para ser consumida às quatro horas da tarde do que após uma orgia dessas.

Os Chineses tem uma outra abordagem. Eles escolhem o restaurante, o cardápio, tudo. Nem perguntam onde o convidado tem vontade de ir, ou que tipo de comida quer comer. Na real eles aproveitam a oportunidade para comerem o que ELES querem. A semelhança com os árabes é a fartura de pratos. E a principal diferença – pelo menos para o meu paladar – é que, ao contrário da deliciosa comida árabe, a chinesa é sofrível. A grande vantagem é que os chineses estão mais preocupados em curtirem eles próprios a função toda, então não ficam empurrando comida ao coitado que está lá apenas como motivo para eles se empanturrarem. Na cena acima, o incauto viajante prova uma iguaria local: pata de frango ao molho agridoce picante. A foto flagra a 'delícia' do prato na expressão indisfarçável...

Com os Japoneses a coisa é tranquila. Eles têm uma culinária primorosa e a educação de perguntar o que o convidado prefere. Perfeito. Apesar de menos exótica que a chinesa ou árabe, uma vez que existem diversos restaurantes japoneses pelo Brasil, os bons restaurantes de lá ainda oferecem novidades deliciosas, saindo um pouco do sushi. Pratos com frango empanado, agridoces de frutos do mar e outros itens nem tão convencionais assim despertaram muito meu entusiasmo na terra que o Colorado fincou a bandeira no saudoso ano de 2006. Só duas coisas não deixaram saudades. O famigerado olho de peixe, com um gosto horroroso, e o bizarro hábito dos japoneses de se embebedar num karaokê depois do jantar, comendo pipoca. Uma Indiada Jones, enfim. A foto abaixo mostra esse empolgante momento...







Na Europa Ocidental o nosso paladar fica mais à vontade. Afinal de contas, estamos em casa, culturalmente falando. Lá o gostoso mesmo é descobrir as delícias em algum restaurantezinho escondido, bucólico, sem frescuras, e com um primor de qualidade que levou séculos para ser atingido. Numa dessas andanças eu descobri uma sopa de cebolas em Paris que rendeu história aqui no blog.

Tenho vontade de conhecer sempre mais. De provar mais sabores diferentes e entrar em contato com diversas culturas através da sua culinária. Acho que esse interesse acaba sendo benéfico para trazer ideias na hora de inventar moda na cozinha. Há perigos na estrada, mas um garfo aventureiro não foge deles, assim!

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

A DOIS

Mes amis, vamos fazer uma visitinha à cuisine française nos post que se segue. Em um sábado a noite destes, eu e a Adri tínhamos um aniversário para irmos na zona sul de POA. Convocamos os padrinhos da Pietra para ficarem com a baixinha, pois não tínhamos hora pra voltar. Aconteceu no entanto, de no sábado a tarde a festa furar e como somos pessoas que cumprem nossos compromissos, nós resolvemos não furar com os dindos e deixar a baixinha com eles mesmo assim, hahahahaha!!!

Arruma
mos a casa como nos velhos tempos. Entenda-se sem brinquedos na sala, escondemos os DVDs infantis e tiramos de circulação a cadeirinha de comer e o carrinho de bebê. Só pra dar um clima!

Fomos ao cinema numa sessão bem tarde e f
omos comer mais tarde ainda. Alguma coisa entre meia-noite e uma da manhã. Eu tinha visto em uma revista de culinária um prato que havia me chamado a atenção pela mistura de ervas fortes que se utilizava, e como me lembrava das ervas principais resolvi improvisá-lo. Na verdade é um filé de peixe com legumes e ervas cobrindo ele.

IL PRESCRIT
2 filés graúdos de congrio
12 tomates cerejas
4 cebolinhas verde com o bulbo
1 funcho
1/2 limão
Manjericão
Hortelã
Azeite de oliva
Sal e pimenta do reino

MANIÈRE DE PRÉPARATION
Temperar o peixe com sal e pimenta do reino enquanto a frigideira esquenta o huile d'oliva. Fritar o filé sem ficar virando para não quebrar. Dá algo en torno de 4 a 5 minutos com a carne para baixo e mais 3 minutos com o lado da pele para baixo. Reservar.

Na mesma poêle, aqueça o funcho cortado em tiras, a cebolinha cortada grosseiramente e os tomates cerejas cortados ao meio. Mais uns 3 minutinhos ou até o funcho ficar macio. Desligue o fogo e junte o manjericão e a hortelã enquanto prépare o prato. Como se diz... a servi la Française!

Coloquei o congrio no prato e cobri com os legumes e as ervas, e na hora de comer coloquei um pouquinho mais de
huile d'oliva e expremi o limão por cima dos pratos. Preciso dizer que é uma explosão se sabores na boca. Vocês precisam experimentar a mistura de hortelã com manjericão, hhhuuuummmm!!! A mistura de cebolinha verde com funcho, hhhuuuummmm!!! A mistura de cebolinha verde com hortelã, hhhuuuummmm!!! E todas as outras misturas que o prato proporcionou. Dèlice! Magnifique!

Para acompanhar tomamos um vinho Argentino da Bodegas Callia, shiraz 2008, que desceu redondinho com o prato.

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quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Te amo espanhola

"se for chorar, te aaammmuuuu..." assim canta o Flávio Venturini... Eu tenho dedilhado essa (e outras dele) no meu precioso Di Giorgio ano 1991. É engraçado, pois desde que eu conheci esse prato, eu lembrava e cantarolava essa música ao imaginar como fazê-lo e como comê-lo também...

Estava eu num hotel em São Paulo que normalmente fico quando vou lá a trabalho. É bem verdade que nunca fui lá a passeio, o que, aliás, estou devendo a vários amigos. Eu normalmente não janto no restaurante do hotel, pois ali perto tem vários botecos legais e tenho amigos que moram ali perto... Mas nesse dia, um cartazinho despretensioso me chamou atenção no elevador: "hoje no restaurante: Noite Espanhola" e dizia quais seriam os pratos do buffet: Paella, robalo com alcaparras, cebola espanhola e outros que não lembro... Pensei na hora: hmmm, geralmente paella de buffet é bem fraquinha, bah, mas tem esse robalo... Tá, vou. E fui.

Bueno, a paella tava dentro do esperado mesmo... O robalo tava bem bom... Só que eu me servi da tal 'Cebola Espanhola', que, à primeira vista, parecia uma lasanha... Baaaaahhhhhhh!!!!!! Quase enlouqueci com a tal cebola..... Me servi uma, duas , três vezes!!! Até que chamei o garçon: escuta, posso ir na cozinha conhecer o chef? Essa cebola tá demais! Tenho que dar os parabéns pessoalmente pra ele!! Demorou um pouco e fui lá. Fiquei parado um pouco na frente da entrada da cozinha, ainda no salão. Veio a guria que parecia ser a gerente ali do restarurante perguntar se estava tudo bem... Eu disse: capaz, vim só cumprimentar o chef!

O chef era tri gente-fina! Me mostrou o baita fogão que ele pilotava, o forno e tal. Aí, eu não resisti e disse: cara, essa cebola é um espetáculo, como é que tu faz?? Ele deu uma risadinha e me falou (só) isso (com um baita sotaque nordestino): refoga a cebola até ela murchar, põe um pouco de creme de leite, cobre com uma massa folhada e deixa 30 minutos no forno a 180 graus. Não me disse mais nada! Eu saí dali lôco! Pô, onde é que eu vou arrumar uma p. de massa folhada? Sei lá, p.!

Aí começou a cruzada até achar a massa folhada. Tentei fazer o prato com "massa folhada pra pastel de forno". Ficou tri ruim, embora eu já tenha acertado a cebola de cara... Aí, minha querida stepmom Sandra me deu a dica que fechou todas: "tem uma massa folhada congelada que vem em rolo, a marca é Arosa". Catei a tal massa e achei! Bingo!


Então lá vai, é bem fácil: pega 4 ou 5 cebolas bem grandes e corta em rodelas bem grossas, tipo em três fatias e corta essas fatias ao meio. Põe pra refogar numa quantidade generosa de manteiga. Acrescenta umas pitadas de ervas finas, pode botar sem medo, é pra que as cebolas fiquem cheias de coisinhas verdes mesmo. Realmente, como disse o chef, é até murchar, que é antes do 'douradinho' (numa das tentativas que fiz, deixei passar um pouco e não ficou bom). Mistura, ali na panela mesmo, uma colherada generosa de creme de leite fresco (já botei demais também e ficou sobrando) e sal. Aí coloca tudo isso num refratário quadrado ou retangular e cobre (até as bordas do refratário) com a massa folhada. Não é cobrir como se fosse um filme plástico, a massa fica encostada na cebola, cobrindo tudo. Pode colocar uma gema de ovo espalhada sobre a massa folhada ou umas pinceladas de creme de leite mesmo pra dar uma corzinha diferente depois de ficar aquela meia hora no forno.


Aos 15 minutos, o cheirinho que aparece é pra matar! Aquela cebola se assando e meio-que-cozinhando naquele pouco de creme de leite, bahhh!!!

Ao comer, a surpresa: não é um prato pesado! Fica bem suave, não dá bafão e não faz chorar, como a espanhola da música.


Como essa cebola não serve pra prato principal, fizemos para acompanhá-la um arroz com brócolis e um super peixe, que virá em seguida num post. Ah, e uma super-ultra-mega champanha espanhola, já que a noite era especial.